sexta-feira, 3 de abril de 2015

Com presença da PM, roubos e furtos dentro do campus da USP sobem 55%

Matéria de 02/10/2014

Mesmo com a presença da Polícia Militar na Cidade Universitária, no Butantã (zona oeste de São Paulo), a guarda da USP registrou aumento de 55% nos roubos e furtos em 2014 em relação a 2012, primeiro ano após a entrada em vigor de convênio prevendo PMs no campus.

Desde então, a polícia no não conseguiu frear a tendência de aumento nesses crimes (ver quadro ao lado). Até setembro deste ano, foram registrados 93 casos, ante 60 em todo 2012, segundo a USP. Em 2013, houve 72 registros.

O convênio, que vence em 2015, foi assinado em setembro de 2011, dois meses e meio após o estudante Felipe de Paiva, 24, ter sido assassinado em um estacionamento do campus durante um assalto.

Parte dos alunos, professores e funcionários da universidade sempre contestou a presença da Polícia Militar no campus. Estudantes temiam, por exemplo, não poder se manifestar dentro da USP.

A segurança no campus foi criticada no mês passado após o estudante Victor Hugo Santos, 20, ter sido encontrado morto na raia olímpica. Há suspeitas de que o corpo tenha sido jogado no local.

Na manhã do último domingo (28), a remadora Bianca Miarka, 32, foi espancada e teve a mochila roubada por dois ladrões em frente a um dos portões da universidade quando chegava para disputar o campeonato brasileiro de remo. O caso foi incluído nas estatísticas divulgadas.

Para a professora de antropologia Ana Lúcia Pastore, que assumiu neste ano a chefia da segurança da USP, o acordo com a polícia não deu certo, e os crimes poderiam ser evitados se houvesse mais investigação dos casos.

"A questão da repressão [policial] se deu de forma desastrosa. A polícia começou a entrar no campus para fazer abordagem de todo tipo, inclusive de pessoas que circulavam pelo campus sem qualquer atitude que poderia ser considerada suspeita", diz.

Segundo ela, o ideal seria que o efetivo da guarda universitária fosse maior, hoje com 55 vigias que andam desarmados e não têm dever de atuar como a PM nos crimes.

Além da guarda, o policiamento no campus é feito por uma base comunitária e por PMs do 16º batalhão, vizinho à Cidade Universitária.

Frederico Castelo Branco, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, afirma que o problema de segurança no campus está no contexto do que acontece na cidade. Em agosto, a capital registrou a 15ª alta consecutiva de roubos.

Ele defende que uma divulgação mais detalhada das estatísticas pode mostrar os locais com mais crimes e ajudaria a entender o problema.

A universidade afirma que pretende aumentar o monitoramento eletrônico no campus, instalando mais câmeras.

A Secretaria de Segurança Pública não disse se tem dados de crimes cometidos apenas na Cidade Universitária.

Segundo a PM, de janeiro a agosto deste ano, 214 pessoas foram presas em flagrante e 9 adolescentes, apreendidos. Disse ainda que "a maior atuação do policiamento dentro do campus depende da USP".

Fonte: Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/10/1525771-com-presenca-da-pm-roubos-e-furtos-dentro-do-campus-da-usp-sobem-55.shtml

segunda-feira, 30 de março de 2015

Caixa eletrônico no campus da Universidade Federal de Uberlândia é destruído durante explosão

Pelo menos quatro pessoas invadiram o campus Umuarama da Universidade Federal de Uberlândia, na zona leste da cidade, na madrugada desta segunda-feira (30), e explodiram um caixa eletrônico da agência do Banco do Brasil. O crime ocorreu no cruzamento das ruas Pará e Piauí, dentro do campus. Não se sabe o valor levado pelos suspeitos, mas R$ 38.540 foram deixados espalhados pela agência e recolhidos pela Polícia Militar (PM).

Segundo a PM, os vigilantes da universidade viram dois suspeitos forçando a porta de vidro que dá acesso à agência, escutaram a explosão e viram fumaça. Em seguida, observaram um veículo preto saindo em alta velocidade da instituição sentido à rodovia BR-050. Foi feito cerco bloqueio da polícia, porém o carro não foi encontrado, nenhum suspeito foi identificado e não houve prisões.
Bandidos invadem campus da UFU e explodem caixa eletrônico
Explosão de caixa aconteceu durante a madrugada (Foto: Cleiton Borges)

Segundo a Polícia Militar, o grupo teria cortado o alambrado que cerca o campus e tiveram acesso à agência que foi atacada pela primeira vez desde o início das explosões de caixas eletrônicos na cidade, em 2012. O último ataque registrado em Uberlândia ocorreu no dia 2 deste mês, na sede da Justiça do Trabalho, quando o órgão teve que ficar fechado e cancelar audiências por uma semana.Com a força de explosão no local, até mesmo as portas do elevador foram danificadas.

Nesta madrugada, a perícia do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) apontou que, para explodir o equipamento, os suspeitos usaram dinamites e uma alavanca para forçar a abertura de saída de dinheiro do caixa. O local foi liberado pelo Gate e pelo Corpo de Bombeiros, que afirmou não haver riscos de desabamento da estrutura.

A agência ficou bastante danificada com a destruição de divisórias, forro e danos a outros equipamentos na área de autoatendimento. O local de atendimento pessoal também ficou danificado com vidros e portas quebradas. A Polícia Federal (PF) esteve no local e irá investigar a invasão. A Polícia Civil (PC) responsável pela apuração dos fatos ocorridos no banco não encaminhou a perícia no momento do crime.

De acordo com a PM, responsáveis pela agência também não compareceram ao local e o dinheiro, envelopes de deposito e cédulas danificadas foram apreendidas e encaminhadas à Delegacia de Plantão da Polícia Civil.

A reportagem do CORREIO entrou em contato com a assessoria de imprensa do Banco do Brasil e aguarda retorno.

Fonte: Jornal Correio de Uberlândia

sexta-feira, 27 de março de 2015

Agência bancária no campus central da Ufrgs é assaltada em Porto Alegre

Quadrilha tomou clientes e funcionários como reféns durante uma hora e trinta minutos

agência do Banco do Brasil, localizada no campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), foi alvo de um assalto na manhã desta quinta-feira em Porto Alegre. Segundo informações da Brigada Militar (BM), ao menos cinco homens fizeram clientes e funcionários como reféns durante o assalto. A ação durou mais de uma hora e trinta minutos. 

Conforme os policiais militares, a quadrilha chegou ao local com um Toyota Corolla. A agência foi invadida e os criminosos tentaram arrombar alguns caixas eletrônicos do banco. Apesar da tentativa, os suspeitos não conseguiram ter acesso ao dinheiro. 

A quadrilha percebeu a proximidade da BM e decidiu fugir com três armas, retiradas de vigilantes que trabalham na agência do Banco do Brasil. Após o crime, o local foi isolado e não terá expediente nesta quinta.

Fonte: Correio do Povo
Enviado por: Mozarte - UFRGS

sexta-feira, 13 de março de 2015

Estudantes sofrem sequestro relâmpago na UFSC

Dois estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram vítimas de sequestro-relâmpago na noite de quinta-feira (12) no campus de Florianópolis.

Os jovens saiam da aula, por volta das 22h15 e estavam no estacionamento da universidade quando um carro com quatro homens se aproximou. Armados, exigiram que as vítimas entrassem no veículo. Após rodarem com os estudantes, eles foram liberados no bairro Ratones no Norte da Ilha.

As vítimas pediram socorro junto ao posto da Polícia Militar Rodoviária na SC-401, que em conjunto com aPolícia Militar fizeram rondas pela região mas não nenhum suspeito foi encontrado. Os ladrões fugiram com o carro das vítimas, pertences pessoais e R$380,00.

Segue link com matéria completa no G1:

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/jornal-do-almoco/videos/t/edicoes/v/dois-estudantes-do-curso-de-direito-da-ufsc-sao-sequestrados-dentro-da-universidade/4032417/

quinta-feira, 12 de março de 2015

Encontrado corpo de jovem desaparecido em Viçosa

Jovem estava desaparecido desde a madrugada de sábado, 7

O corpo do jovem pontenovense Gabriel Oliveira Maciel, 17, foi encontrado no final da tarde de hoje, segunda-feira, 9, na região da Horta da Universidade Federal de Viçosa.

Uma pessoa passou pelo local a pé e sentiu mau cheiro e encontrou o corpo caído numa vala, à beira da estrada. A polícia foi acionada e amigos de Gabriel estiveram no local e reconheceram Gabriel pelo porte físico e por uma pulseira de ouro que ele estava usando na festa. Já em estado avançado de decomposição, o corpo de Gabriel apresentava sinais de ter sofrido violência física e estava totalmente nu.

Gabriel estava desaparecido desde a madrugada de sábado, 7, depois que participou de uma festa de “Calourada”, promovida pela Republica Qkické, na noite de sexta-feira, 6. A festa de recepção aos calouros da Universidade Federal de Viçosa é algo recorrente na cidade. Entornando o Béquer era uma festa com cerveja liberada, que aconteceu no sítio do Lino, em Cajuri (nas proximidades do distrito viçosenses de São José do Triunfo). Os organizadores da festa alegam que o adolescente apresentou uma identidade falsa para conseguir entrar no evento, que é proibido para menores de 18 anos.

A mãe de Gabriel disse à polícia que ele saiu de casa, em Ponte Nova, para se encontrar com sua namorada em Viçosa e juntos, foram à festa. Ela informou ainda que ele teria dito que voltaria para casa, em Ponte Nova, no primeiro horário de ônibus, porque tinha cursinho às 10 horas. Às 7 horas da manhã de sábado, depois que ele não chegou em casa, ela ligou para ele e o telefone chamou, mas ele não atendeu. Logo em seguida ela recebeu uma ligação do celular dele, mas apenas ouviu gemidos. A mãe, desesperada, disse que tentou ligar outras vezes, sem sucesso. Ela esteve na Delegacia de Viçosa na manhã de hoje, para acompanhar as investigações.

Segundo relatos de amigos, Gabriel foi visto pela última vez na madrugada de sábado, 7, tentando entrar num ônibus, no final da festa, quando teria sido agredido e caído, não conseguindo embarcar.

A namorada de Gabriel revelou à polícia que esteve na festa em companhia de Gabriel, mas ele teria se drogado e bebido muito. Ela revelou ainda que foi embora e o deixou na festa após discutirem.

Na tarde de hoje, o celular da vítima foi encontrado nas proximidades do Cemitério Dom Viçoso. A polícia está investigando o caso.

Fonte: Folha da Mata
Enviado por: Edécio - UFV

domingo, 8 de março de 2015

Universidades federais em Minas sofrem para fechar as contas

No Triângulo Mineiro, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que no primeiro trimestre do ano acumula déficit da ordem de R$ 12 milhões, enfrenta um dos piores quadros. O repasse de R$ 10,5 milhões esperado pela instituição despencou para R$ 6,5 milhões. Os pagamentos não estão em dia, mas ainda não houve interrupção no fornecimento de insumos e prestação de serviços.

Pensando no pior cenário, caso a restrição se confirme com a aprovação, em Brasília, de um orçamento mais enxuto, um plano interno de emergência está tratando de rever contratos de serviços e mão de obra. “O que recebemos hoje é insuficiente para a universidade e precisamos nos readequar a essa realidade”, afirma o pró-reitor de Planejamento e Administração, José Francisco Ribeiro.
(Comunicação UFU )

GESTORES SE ESFORÇAM PARA PRESERVAR ATIVIDADES ACADÊMICAS, MAS AVISAM QUE ESTÃO NO LIMITE DEVIDO AO CORTE NO ORÇAMENTO ANUNCIADO POR BRASÍLIA

O ano letivo mal começou e as universidades federais enfrentam a primeira grande prova: fechar as contas. Prejudicadas por decreto que reduz em 33% os recursos mensais de órgãos subordinados à União, as instituições de ensino superior em Minas Gerais amargam, nos três primeiros meses de 2015, déficit de pelo menos R$ 40 milhões. Com dinheiro a menos no caixa, que deveria ter mais de R$ 120 milhões, o jeito foi apertar o cinto e rever o orçamento, lançando mão de expedientes que vão da redução de bolsas de assistência estudantil à demissão de funcionários terceirizados. Cada administração corta onde dá para diminuir os prejuízos aos câmpus, mas mesmo assim algumas se tornam devedoras, como ocorreu com o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-MG), com diversas faturas em atraso. A crise se embrenha ainda por outras áreas, atingindo em cheio hospitais universitários.
A situação não tem perspectiva de se normalizar, pelo menos até que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa), que definirá as dotações financeiras, passe pelo crivo do Congresso Nacional. Até lá, valem as determinações do Decreto 8.389, de 7 de janeiro, que dispõe sobre a execução orçamentária dos órgãos, fundos e entidades do Poder Executivo. Justamente por causa dele, a situação, que já não andava nada boa com os cortes já no fim do ano passado, piorou. Isso porque, nos primeiros meses de 2015, em vez de repassar mensalmente 1/12 do montante anual previsto – praxe sempre que o ano começa sem definição orçamentária –, o Ministério do Planejamento decidiu contingenciar e liberar apenas 1/18, um terço a menos do que o previsto.
A Universidade Federal de Minas Gerais, a maior do estado, foi atingida duramente em suas finanças. Porém, apesar de divulgar comunicado à comunidade acadêmica anunciando a crise – com suspensão de pagamentos de contas de águas e luz e demissão de terceirizados, além do arrocho enfrentado com cortes orçamentários que apenas no ano passado chegaram a R$ 40 milhões – a Reitoria não dá mais detalhes sobre qual a dimensão do prejuízo com o decreto de janeiro, nem quais setores ainda podem ser afetados.
No Triângulo Mineiro, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que no primeiro trimestre do ano acumula déficit da ordem de R$ 12 milhões, enfrenta um dos piores quadros. O repasse de R$ 10,5 milhões esperado pela instituição despencou para R$ 6,5 milhões. Os pagamentos não estão em dia, mas ainda não houve interrupção no fornecimento de insumos e prestação de serviços. Pensando no pior cenário, caso a restrição se confirme com a aprovação, em Brasília, de um orçamento mais enxuto, um plano interno de emergência está tratando de rever contratos de serviços e mão de obra. “O que recebemos hoje é insuficiente para a universidade e precisamos nos readequar a essa realidade”, afirma o pró-reitor de Planejamento e Administração, José Francisco Ribeiro.
Na Federal de Viçosa (UFV), na Zona da Mata, o momento também é de readequação, para compensar os R$ 2,5 milhões a menos todo mês. Segundo a reitora Nilda de Fátima Soares, a prioridade são as atividades acadêmicas. Para não prejudicar programas voltados para estudantes de baixa renda, como as bolsas moradia, tutoria e monitoria, e o funcionamento de refeitórios e laboratórios, a administração vem escolhendo o que é mais urgente. Assim, paga contas em um mês e, no outro, arca com multas. Na manutenção, o que pode ser adiado também fica para trás. “O nosso apelo é para que a educação, bem como a saúde e outras áreas essenciais, sejam prioritárias no país e não tenhamos qualquer corte.”
Na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), também na Zona da Mata, foram adotadas medidas imediatas para contornar a crise provocada pelo rombo de quase R$ 2 milhões no caixa. Além de reduzir em 30% o orçamento destinado a diárias e passagens nacionais, a Reitoria suspendeu a emissão de bilhetes internacionais e redimensionou a verba para bolsas de apoio estudantil e para o Proquali (programa de bolsas a servidores que cursam graduação ou pós-graduação strictu sensu). O reitor Júlio Chebli informou que a prioridade é diminuir ao máximo o impacto nas atividades essenciais do ensino, da pesquisa e da extensão. As bolsas de assistência estudantil passaram de cerca de 5,5 mil para 4,4 mil. Já o Proquali sofrerá redução de 50% no total da verba disponível para este ano.
Diretor de Orçamento e Finanças da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), na Região Central, Eduardo Curtiss acredita que a situação só não está pior porque as aulas estão apenas começando. “Se o Congresso não aprovar logo e se houver cortes realmente, começa a ficar mais complicado daqui para a frente. No geral, temos honrado o cronograma financeiro da universidade, mas, a partir deste mês, se a situação não se normalizar, começamos a entrar em uma zona de desconforto”, diz. A instituição, que sofre com cerca de R$ 1 milhão a menos, vai definir nos próximos dias possíveis adequações.
Rede Cefet-MG no vermelho
Uma conta de R$ 2 milhões bate à porta das 10 unidades do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG). A dívida, que inclui despesas atrasadas de água, energia elétrica, telefone e internet, se acumula desde o fim do ano passado, quando as instituições fecharam as finanças no vermelho. A situação já crítica se agravou neste ano, com novos atrasos de repasses que fizeram serviços terceirizados de segurança e limpeza se juntarem ao débito milionário. De acordo com a Diretoria Adjunta de Planejamento e Gestão, o quadro de arrocho é resultado de cortes de recursos federais em 2014 e do contingenciamento anunciado pela Presidência da República neste início de ano, que subtraiu R$ 1,4 milhão da verba de custeio mensal de R$ 4,2 milhões.
Para se adequar à falta de dinheiro, o Cefet suspendeu compras que já estavam programadas, cortou diárias e passagens de funcionários para congressos, seminários e viagens entre unidades e já prepara demissões. Por enquanto, mantém o pagamento das bolsas estudantis e espera a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2015, na esperança de reorganizar as finanças. Mas, se a redução de 33% no orçamento imposta pelo Decreto Federal 8.389, da Presidência da República, for mantida na planilha de repasses, as unidades terão cortes ainda mais expressivos de pessoal, com impacto direto nos setores de limpeza, portaria e segurança.
“O momento econômico é muito difícil. Já tivemos dificuldades no orçamento de 2014 e as despesas do ano passado entraram neste ano sem pagamento. Com a redução na verba de custeio de 2015, o problema se agravou. Além disso, nem os recursos previstos para serem liberados, que já representariam apenas 67% do orçamento normal, estão vindo na totalidade. Se a situação continuar assim, os alunos também serão afetados diretamente”, advertiu o diretor-adjunto de Planejamento e Gestão, Tomaz Antônio Chaves. Segundo ele, a crise ainda não está tendo repercussão maior porque as aulas não haviam começado. Mas, com o retorno dos alunos aos campus, amanhã, os sinais podem se tornar mais evidentes.
A diretoria já teme, inclusive, que água e luz sejam cortados. Enquanto a energia não é paga há dois meses e acumula débito de R$ 300 mil, as contas de água estão sem pagamento desde novembro do ano passado e somam R$ 360 mil. Serviços de transmissão de dados e telefone também estão com boletos de janeiro e fevereiro em aberto, uma conta de R$ 180 mil. A maior parte da despesa atrasada, no entanto, vem dos custos com limpeza e segurança. Somente em fevereiro, a despesa com esses serviços soma R$ 1,1 milhão. “Suspendemos compras de material de expediente e de laboratório, além de outros gastos, para tentar equacionar a situação até a aprovação do orçamento. Mas, além das demissões, corremos o risco de ter que suspender a concessão de bolsas, uma vez que a demanda existente já é grande”, disse o diretor. “A partir da confirmação orçamentária, vamos avaliar o que terá que ser revisto, inclusive com possibilidade de redução do financiamento de atividades acadêmicas.”
O orçamento anual previsto para as 11 unidades do Cefet em Minas é de R$ 83,1 milhões – sendo R$ 51,6 milhões para custeio e R$ 31,5 milhões para investimento em obras e compra de equipamentos. Se mantido o contingenciamento, as instituições devem perder R$ 27 milhões de repasse, o que a longo prazo pode afetar também a infraestrutura de prédios e laboratórios, já que obras podem ser paralisadas, bem como a compra de aparelhos importantes para atividades práticas dos centros federais.
Hospitais sofrem efeitos colaterais
Não apenas as instituições federais de ensino superior e o Cefet têm sentido o efeito da redução no repasse de verbas federais. Os hospitais universitários também sofrem impactos diretos na compra de materiais e medicamentos, comprometendo o trabalho médico e atendimento aos pacientes. No Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, a direção diz estar “lutando para manter os serviços com o mínimo de comprometimento”. “Apesar do desabastecimento de medicamentos e materiais de consumo, estamos mantendo as atividades. Porém, desde dezembro as cirurgias eletivas estão suspensas, bem como os procedimentos que dependem de órteses e próteses e exames laboratoriais de alto custo”, afirmou o diretor clínico da unidade, Hélio Lopes da Silveira.
Das fontes de receita do hospital universitário, três são de origem federal. De acordo com o diretor, o dinheiro do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf) – destinado a pagamentos de contratos com empresas terceirizadas e serviços como energia elétrica, telefonia, lavação de roupas e fornecimento de alimentos – tem sido insuficiente para manter os contratos, que estão em atraso. As fontes de renda do Fundo Nacional de Saúde, referente à remuneração dos serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS), não sofreram contingenciamento, mas são deficitárias, porque a tabela SUS não remunera de forma adequada, segundo o diretor. É dessa receita que é feito o pagamento dos funcionários contratados em regime de carteira assinada e a aquisição de medicamentos e materiais de consumo. O hospital recebe ainda verbas do Ministério da Educação, o que representa cerca de 50% da força de trabalho de profissionais concursados.
Em Belo Horizonte, a situação, que foi pior em janeiro e fevereiro, começou a se estabilizar, de acordo com o assessoria do Hospital das Clínicas da UFMG. Segundo a entidade, houve atraso no repasse financeiro de valores referentes ao pagamento da produção hospitalar, por parte do Fundo Nacional de Saúde (FNS), referente ao mês de dezembro do ano passado. Isso resultou em problemas na pontualidade do fornecimento de materiais médico-hospitalares. Apesar da regularização dos repasses, o hospital ainda vem reabastecendo seus almoxarifados e está voltando à rotina de atendimento.
No mês passado, embora a administração hospitalar negasse a crise, funcionários e parentes de pacientes chegaram a fazer um protesto, fechando parcialmente a Avenida Alfredo Balena, em frente à unidade, para denunciar o que classificaram como falta generalizada de insumos.
Segundo o HC/UFMG, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada pelo governo federal para gerir hospitais universitários federais, como é o caso da unidade de BH. Ainda de acordo com a assessoria, alguns contratos compartilhados entre o Hospital das Clínicas e a administração central da UFMG tiveram que ser revistos, para se adequarem à limitação orçamentária da universidade.
A situação é um pouco mais tranquila em Juiz de Fora, onde o Hospital das Clínicas informa estar funcionando sem interrupção nos serviços e com pagamentos dentro do planejado.
Esforço para manter o fundamental
Manter funcionando o que é essencial para não prejudicar ensino, pesquisa e extensão. Esse é o lema na Federal de Alfenas (Unifal), no Sul de Minas. Substituições de funcionário em férias saíram do cronograma. Capacitação de servidores só é autorizada em casos considerados prioritários. Na graduação, viagens também sofreram cortes e as aulas de campo de geografia, por exemplo, estão sendo condensadas ou reduzidas. O pró-reitor de Planejamento e Orçamento, Tomás Dias Sant’Ana, espera que a situação se defina em breve. “Nos três primeiros meses, é possível uma gestão da universidade, mantendo serviços em funcionamento. Se houver contingenciamento efetivo, vamos trabalhar nas questões essenciais, deixando algumas ações para 2016.”
Na Federal de Itajubá (Unifei), também no Sul do estado, as restrições orçamentárias representam corte de cerca de R$ 7 milhões nos recursos previstos, mantido o cenário atual com um terço a menos nos repasses. Já a verba de investimentos em equipamentos e instalações sofreu redução de R$ 12 milhões para 2015 na comparação com 2014. Há ainda previsão de diminuição adicional de até dois terços nesses recursos de capital, o que pode implicar em corte suplementar de até R$ 7 milhões, de acordo com nota divulgada pelo reitor Dagoberto Alves de Almeida. Por mês, o déficit é de R$ 650 mil. Um conjunto de medidas já foi anunciado e deverá ser homologado pelos conselhos superiores da instituição. Entre elas, está a redução de 25% (máximo permitido por lei) nos contratos de serviços terceirizados (limpeza, vigilância e transporte) e cortes nos repasses orçamentários às unidades acadêmicas. Estão ameaçados ainda os projetos de competição tecnológica.
Na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), a reitora Ana Lúcia de Assis Simões informou que aguarda a aprovação da lei orçamentária para ter uma definição mais precisa dos recursos disponíveis. De acordo com a pró-reitora de Administração, Heloísa Helena Shih, a instituição recebe mensalmente pouco mais de R$ 3,1 milhões – valor que não chega nas datas previstas, dependendo de liberação do Ministério do Planejamento.
O reitor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Pedro Angelo Almeida Abreu, tem esperança de não precisar comprometer serviços ao público universitário. Segundo ele, se confirmado o corte orçamentário, o alvo serão gastos administrativos. A ideia é não diminuir verbas da assistência a estudantes, mas a Reitoria trabalha com a possibilidade de não aumentar recursos para suprir a demanda do crescimento da população estudantil. Ampliações e obras também poderão ser afetadas.
Na Federal de Lavras, no Sul de Minas, o reitor José Scolforo sustenta que não haverá demissões, interrupção das 47 obras no campus ou corte nas 1,5 mil bolsas da assistência estudantil. “A gestão vai se restruturar e o estudante não será prejudicado. Não sei se a situação será 100% revertida, mas confiamos na sensibilidade do governo”, disse.
As federais de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, e de São João del Rei (UFSJ), no Campo das Vertentes, não deram detalhes sobre efeitos da crise. A primeira informou que não repassará dados de recursos financeiros e a UFSJ argumentou que apenas a reitora, que estava em viagem, estava autorizada a falar sobre o assunto.
Fonte: Últimas Notícias